Quem acompanha meu blog há algum tempo sabe que em Janeiro eu comecei a ler Esaú e Jacó, de Machado de Assis, e pretendia terminar o livro esse mês. Na verdade eu o terminei já faz algumas semanas, mas meio que protelei em escrever uma review do livro por pura preguiça.
O primeiro capítulo do livro, 'Advertência', conta que quando um diplomata chamado Aires morreu foram encontrados sete cadernos, numerados de um a seis em algarismos romanos, com o sétimo intitulado 'Último'. O sétimo caderno, no entanto, não tinha relação com os outros seis, pois enquanto os outros seis eram uma espécie de diário, o sétimo era uma narrativa em terceira pessoa. O resto dos capítulos conta a narrativa do sétimo caderno. Eu achei isso particularmente interessante porque embora a história seja narrada na terceira pessoa por um narrador aparentemente distante dos acontecimentos, nós temos essa informação que nos diz que a narrativa foi escrita por um dos personagens da história, de forma que a objetividade do narrador fica um tanto ambígua.
O enredo gira em torno dos gêmeos Pedro e Paulo, que apresentam uma rivalidade desde crianças. Essa rivalidade é acentuada principalmente em suas opiniões políticas - a história se desenvolve no período de transição da monarquia para a república, sendo Paulo republicano e Pedro monarquista - e depois vira uma rivalidade romântica quando eles se apaixonam pela mesma mulher. O legal da história é que o dilema de Flora para escolher entre Pedro e Paulo é abordado de forma extremamente profunda, como se fosse um dilema existencial dela. Um dos gêmeos é retratado como que meio que representando a estabilidade e o outro a inovação, de forma que cada um deles a completa e ao mesmo tempo não a completa.
Enfim, esse é por enquanto meu livro preferido do Machado, e eu o recomendo a todos que se interessam por clássicos da literatura (e a todos que não se interessam mas estão dispostos a tentar algo novo ♥). Para quem se interessar, você pode encontrar a obra completa do Machado de Assis aqui.
